Depois de ter sido vítima daquilo que
considerou uma injustiça da Comissão Nacional de
Arbitragem (Conaf), a árbitra Ana Paula de Oliveira
terá a oportunidade de virar o jogo.
No dia 23 ela colocará a justiça à mercê
do seu apito e sob as regras do futebol. É que neste dia Ana
Paula de Oliveira estará apitando a final da Copa da
Justiça de Futebol, no clube dos Comerciários, em
Ribeirão Preto. Ana Paula aceitou o convite – e cobrou
um cachê de R$ 3.500,00 por jogo – para apitar duas
partidas de uma hora cada.
A primeira entre a Internacionaly x 2º Cartório de
Registros de Imóveis, que disputarão o terceiro e
quarto lugares do campeonato. Na final, jogarão os advogados
do escritório Brasil Salomão x 5º
Tabelião de Notas. A Copa da Justiça é
realizada há 10 anos em Ribeirão Preto e reuniu neste
ano oito equipes, com jogadores que exercem profissões
vinculadas ao setor judiciário..gif)
Para Ana Paula de Oliveira serão mais dois compromissos fora
da agenda oficial de jogos que servirão para manter a forma,
e também, “engordarão” a conta corrente
da bandeirinha, que tem cumprido uma extensa agenda com palestras e
jogos não oficiais.
Seus erros na partida entre Botafogo e Figueirense, pela Copa do
Brasil, quando anulou dois gols a favor do time alvinegro, foram as
causas da punição que lhe afastou de três
rodadas do Campeonato Brasileiro. Os organizadores do evento em
Ribeirão Preto já dão como certa a
presença de Ana Paula e já estão distribuindo
convites com destaque para a presença da musa da arbitragem.
“Acertamos o cachê e estamos somente esperando o dia 23
pois a Ana Paula já nos garantiu presença.
Será um diferencial nesta edição da Copa da
Justiça e certamente a presença dela vai valorizar
muito o evento”, afirmou Fernando Beordo, responsável
pela Copa.
Porém a assessoria de imprensa da árbitra diz que o
acordo já foi feito, mas que depende da escala de arbitragem
do Campeonato Paulista. “Se não houver nenhum jogo
nesta data, já está tudo certo e ela apitará
em Ribeirão com muito prazer”, disse a assessora da
bandeirinha. Será a segunda atuação de Ana
Paula em jogos amadores na região de Ribeirão Preto.
No dia 3, ela apitou a final da 10ª Copa Varzeana de
Orlândia. Neste final de semana, Ana Paula já
está escalada para bandeirar José Bonifácio
Esporte Clube x Internacional de bebedouro, em José
Bonifácio pela quarta divisão paulista. Em breve, a
bandeirinha espera retornar aos jogos do Brasileirão.
Enquanto isto não acontece, Ana Paula continua sendo
atração dentro e fora do campo.
“Sabia que pagaria o preço”, diz bandeira
Em entrevista ao A Cidade, Ana Paula Oliveira confirmou que
já acertou tudo com os organizadores para apitar a final da
Copa da Justiça, mas que ainda depende da escala de
arbitragem da próxima semana. “Eu queria pelo menos
estar na relação do sorteio, mas não foi desta
vez. Se na próxima semana não for escalada estarei em
Ribeirão Preto”, disse.
A Cidade – Você demonstrou maturidade e
profissionalismo após ter sido punida. Já se sente
pronta para voltar aos jogos da primeira divisão?
Ana Paula – Acho que exageraram nas críticas. Um
zagueiro às vezes faz gol contra, o atacante fica sem
marcar, eu errei. Prefiro atribuir tudo isso a uma má fase.
Por isto penso que o árbitro quando passa por isto precisa
mesmo permanecer em atividade, para fazer o trabalho de
correção. Não somos como os jogadores que
treinam as situações de jogo. Esta história de
geladeira não deveria existir, mas sim os árbitros
permanecendo com suas funções, como vem ocorrendo
comigo.
A Cidade – Mas apitar na última divisão
não foi um castigo duro demais? Você acha que
serão adotados os mesmos critérios quando
árbitros homens, e do primeiro escalão, cometerem
falhas?
Ana Paula – Muita gente não fala, mas os
árbitros também apitam na 4ª divisão.
Isto não é novo, só que ganhou destaque porque
eu fui bandeirar jogos nesta divisão após o meu
afastamento no Brasileiro.
A Cidade – Nos jogos que você tem apitado como
convidada, a sua opção tem sido a de árbitro
principal e não de auxiliar. É seu objetivo partir
para o apito e largar a bandeira?
Ana Paula – Se tiver um espaço quero sim, mas
só vou quando realmente me sentir preparada. Comecei minha
carreira apitando, mas optei pela bandeira pois foi com ela que
surgiu espaço. Queria que as pessoas entendessem que eu
estou na arbitragem porque gosto e apenas por isto.
A Cidade – O foco do seu trabalho está sendo desviado?
Você nota que é tratada como celebridade do futebol e
a sua função na arbitragem aos poucos tem ficado em
segundo plano?
Ana Paula – Concordo que sim e tem um lado bom de ser vista
desta forma e tem o lado ruim. O bom é o carinho das pessoas
e tudo mais. O ruim é que muita gente desconhece as regras
do futebol e distorcem as coisas, muitas vezes por ouvirem dos
formadores de opinião, informações que
não são corretas. Não vou ficar discutindo
regra com todo mundo por aí né. (risos)
A Cidade – Não teme ser vista como uma árbitra
que está parando? Você já até tem um
site que disponibiliza sua agenda profissional e abre espaço
para contratá-la para outros trabalhos...
Ana Paula – Eu fiz (o site) por profissionalismo e respeito
as pessoas que queiram me contratar. Adoro o que faço e
não penso em parar, vou continuar bandeirando, apitando e
continuar o trabalho que faço fora das quatro linhas
(Dá palestras e aulas no projeto “apito
cidadania”, em Hortolândia), enquanto não
comprometer a arbitragem. Me coloco à
disposição de novas oportunidades pois como todo
mundo sabe, a remuneração de um auxiliar não
é como a de um árbitro e eu penso em exercer outra
atividade paralela ao futebol e que posa ser útil para
quando eu parar. Mas não sou uma árbitra aposentando
não (risos).
A Cidade – O preço que você paga é muito
alto por ser mulher?
Ana Paula – Sim. Mas eu sabia que pagaria este preço
quando entrei no futebol. Não me arrependo de nada.
A Cidade – Quais são seus maiores objetivos no
futebol?
Ana Paula - Meu objetivo continua sendo ir para uma Copa do Mundo.
Tenho que fazer a minha parte e acho que posso chegar
lá. |
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Qua 29 Ago 2007 01:14